Crônica 2 – 24 de março 2012

Segundo encontro

Impressionados pelo SER humano

São Paulo, 24 de Março 2012

Quintal do Sesc Ipiranga14h

Por Alexandre Ganico*

Neste segundo encontro do Projeto Agruras do Núcleo Macabéa contamos com a participação de duas pessoas ativas na comunidade Boqueirão, lugar onde sonhamos realizar uma práxis artística e social. São elas Rose Chaia, escritora, e Raul Lucas, estudante e ator. Ambos além de relatarem suas atividades dentro da comunidade nos mostraram também alternativas de espaço para a realização do Projeto “Agruras”.

Logo após, seguindo as orientações dadas por Nayara, iniciamos o processo de construção dos nossos canhenhos. Papel kraft, cola branca e água foram os “ingredientes” utilizados para nosso artesanato.

“A verdadeira vida comunitária é aquela que permite a cada indivíduo relacionar-se com o próximo em termos da relação EU-TU, e não em termos da relação EU-ISTO.” (Martin Buber)

Contamos também com a participação da jornalista Márcia Nicolau que nos apresentou o projeto Impressões Humanas. Projeto este que visa a valorização humana através da narrativa biográfica de pessoas “comuns”. Foi nos relatado como é feito o processo de pesquisa, entrevista e criação dessas histórias. Márcia se deixa impressionar pelo herói anônimo, pelo mito anônimo. O herói-mito que não necessariamente participou de guerras ou revoluções, mas aquele que vive entre nós pela simples experiência de (querer) estar vivo.

“Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivos.”. (Joseph Campbell)

Algumas referências e colocações surgidas:

– Alexandre: Leitura do capítulo 1 do livro “Entrevista – O diálogo possível” de Cremilda de Araújo Medina.

– João: Carta de uma amiga espanhola de sua avó.

– Nayara: Poema “Louvor do Esquecimento” de Bertold Brecht.

Serendipidade, também conhecido como Serendipismo, Serendiptismo ou ainda Serendipitia, é um neologismo que se refere às descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso. A história da ciência está repleta de casos que podem ser classificados como serendipismo. O conceito original de serendipismo foi muito usado, em sua origem. Nos dias de hoje, é considerado como uma forma especial de criatividade, ou uma das muitas técnicas de desenvolvimento do potencial criativo de uma pessoa adulta, que alia perseverança, inteligência e senso de observação.

Ao findar de nossas atividades, o dramaturgo Rudinei Borges nos guiou para o rito de encerramento: MÃOS. Mãos que ajudaram a construir nossos canhenhos. Mãos que para Márcia Nicolau sintetizam visualmente o projeto Impressões Humanas. Mãos que então apoiadas sobre o chão se uniram, se elevaram, se estenderam e terminaram num abraço de corpo inteiro. ImPressão Humana.

* Alexandre Ganico é ator e oralista do Núcleo Macabéa.