Itinerários do ator Lukas Torres

Lukas Torres, ator do Núcleo Macabéa| Por Lukas Torres |

A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. (Clarice Lispector) 

O coração do menino palpitava de alegria ao saber que participaria de uma peça teatral.  Era o primeiro  a colocar o nome na lista do programa Talentos na escola.  Adorava dançar. Na infância, já era perceptível que existia um grande artista impregnado em meu ser.  Ouvia-se os comentários: A criança é talentosa!

Em vários momentos tentei ingressar no teatro. Mas não possuía apoio de quem eu queria que me incentivasse. O menino era jovem demais para andar com as próprias pernas. Desmotivações eram constantes em meu cotidiano, porém eu tinha certeza que um dia chegaria a minha hora. A hora de mostrar quem realmente sou. Hoje estou aqui. Vivo. Repleto de ganância pela arte de interpretar.

Os personagens são vividos intensamente e sempre trarão recordações, lembranças, memórias por toda minha vida. Em cena adentro o mundo mágico. Os nervos transmitem os sentimentos que ficam escondidos, guardados dentro de mim. Mostro a riqueza do que é fazer arte. Artista não é artista se não buscar desenvolver a sensibilidade.  Por isso, que na dança evidencio que meu corpo vive.  A cada movimento a executar sempre procuro alcançar esta ferramenta para transmitir as minhas emoções.

Em 2008, participei do curso de teatro oferecido pela casa de cultura Chico Science durante 12 meses. 

Aprendizado onde adquiri uma melhor postura, autocontrole sobre o corpo, limite de espaço em cena, vocalização, técnicas de expressão corporal, expressão facial. Nos últimos 5 anos fui convidado pela filósofa e escritora Rose Chaia a fazer parte do elenco de “O Natal nos dias de hoje’’.

24 de dezembro de 2011 – data especial que jamais esquecerei: Após o término da apresentação da peça citada acima, recebo a notícia de Chaia que seu amigo Rudinei Borges (dramaturgo, ator e diretor de teatro) gostaria de me fazer um convite: participar da oficina de teatro do grupo recém formado. Com potencial e dedicação, hoje, sou integrante efetivo do Núcleo Macabéa.

Entrevista com Lukas Torres

Que trajetos trouxeram você para o teatro? Conte-nos sobre esta memória de inquietação que trouxe você para a interpretação.

Desde pequeno ouviam-se os comentários: A criança é talentosa! O meu coração batia forte ao saber que participaria de uma peça teatral, ou mesmo de uma dança na escola. Desde a infância eu já percebia que gostava de arte. Em 2003, mudei de Maceió para São Paulo, comecei a fazer parte de um grupo de jovens da Paróquia Sagrada Família (Cursino – zona sul). Lá, eu era o menino artista: fazia interpretações (cenas) de textos bíblicos, declamava leituras (sem olhar no papel) e todo final de ano, na época do Natal, fazíamos uma peça. Em 2008, fiz uma oficina de teatro durante todo o ano. Em vários momentos tentei ingressar no teatro. Mas não possuía apoio de quem eu queria que me incentivasse. Desmotivações eram constantes em meu cotidiano, no entanto, eu tinha certeza que um dia chegaria a minha hora.

Como você chegou ao Núcleo Macabéa?

Em 2011, após a apresentação da peça “O natal nos dias de hoje” da Paróquia Sagrada Família, o dramaturgo e diretor de teatro Rudinei Borges, que assistiu a encenação, convidou todos os atores para fazer parte de uma oficina que seria proporcionada pelo grupo recém-formado que ele coordenava. No final das contas a oficina nem aconteceu, pois foram poucos jovens que aceitaram o convite. Coloquei os pés no chão, bati no peito e comecei a frequentar os ensaios. Ao ver todo meu interesse, Rudinei Borges me convidou para ser membro efetivo do Núcleo Macabéa e fui muito bem recebido por todo o grupo.

O que é o Núcleo Macabéa em sua concepção?

O Núcleo Macabéa é um grupo brasileiro de teatro que se propõe criar a partir da palavra poética, através de uma dramaturgia inédita que é encontrada na memória e na angústia humana. Os processos realizados pelo grupo até o momento evidenciam a busca para encontrar formas outras de habitar a realidade na arte. “Somos andarilhos (poetas-de-estrada) com ganância de espalhar a poesia-memória”.

Como foi a sua participação no processo de criação da peça “Agruras – ensaio sobre o desamparo”?

Lukas Torres na peça Chão e Silêncio do Núcleo Macabéa
O ator Lukas Torres na peça “Chão e Silêncio” do Núcleo Macabéa, encenada em 2012 na favela do Boqueirão, zona sul de São Paulo

Conte-nos sobre o personagem que você interpreta em “Agruras – ensaio sobre o desamparo”. 

O personagem Menino Ferido é rodeado a todo momento pelo demônio da saudade: a busca constante para ter de volta o seu pai. Carrega uma caixa de música que para ele é a melhor forma de ter consigo a presença do pai, a lembrança.  Em muitos momentos a agonia é tão imensa que clama: Volta, pai! É um menino inocente a ponto de não saber para que serve uma arma de fogo ou mesmo o que é um estrangeiro.

Quais os caminhos o Núcleo Macabéa deve seguir após a primeira temporada da peça “Agruras – ensaio sobre o desamparo”?

Em primeiro lugar, não perdermos jamais o contato com a comunidade do Boqueirão; Continuar as apresentações de “Agruras: ensaio sobre o desamparo”; Rudinei Borges comentou sobre a elaboração de uma pesquisa com o tema: Macabeus são retirantes. No sentido daquele que migra, que sai do seu local de origem. Acho que o tema é bastante legal e podemos ter a comunidade como mote de pesquisa e trabalho. 

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