O corpo em “Agruras”, conversa com Jimmy Wong

Entrevista com o ator Jimmy Wong

Que atividades você desenvolve no campo da arte? Conte-nos o seu itinerário artístico:

Em 2006 me formei ator na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. A partir daí continuei desenvolvendo e adquirindo novos repertórios junto a diversos artistas, como o Grupo Lume, Irineu Nogueira, Toshi Tanaka, Tadashi Endo, este último foi com quem iniciei minha pesquisa de Butoh, sendo dirigido por ele posteriormente no espetáculo MabeMa em 2010. Integrei a Cia. Triptal de Teatro, onde permaneci de 2010 a 2012, apresentando em várias cidades do Brasil o espetáculo Zona de Guerra, e em várias localidades na capital de São Paulo o Estudo Macaco Peludo, ambos os textos de Eugene O’Neil e dirigidos por André Garolli. Na Cia. Triptal pude aprofundar novamente meu trabalho como ator com um grande parceiro, artista, ator, Daniel Ribeiro, com quem criei, neste ano, junto de mais outros parceiros, a Companhia Objeto de Cena, e que estamos prestes a estrear dois espetáculos, Neblina e Óleo, ambos os textos de Eugene O’Neill. Atualmente integro o grupo de atores da Casa Laboratório para as Artes do Teatro, dirigido por Cacá Carvalho, onde desenvolvemos o estudo sobre o 3° Ato da peça Rei Lear, de Shakespeare, dando o nome de A Ingratidão, estudo com o qual acabamos de viajar por várias cidades do interior de São Paulo.

Conte-nos como foi a sua participação no processo de criação da peça “Agruras – ensaio sobre o desamparo” do Núcleo Macabéa:

O ator Jimmy Wong coordenando Oficina de introdução ao Butoh com o Núcleo Macabéa (julho 2013)
O ator Jimmy Wong coordenando Oficina de introdução ao Butoh com o Núcleo Macabéa (julho 2013)

Fiz um trabalho de introdução ao Butoh, tentando desenvolver o caminhar dos atores, trabalhando bases nas pernas e nas plantas dos pés, povoando o imaginário dos atores, fazendo com que criassem caminhos para acessar imagens e narrativas subjetivas, quebrando parâmetros de espaço-tempo ou de um universo dramático e realista. Neste trabalho de introdução é de extrema importância que os atores libertem as energias criativas, para descobrirmos um corpo, um olhar, uma relação com as coisas que não se manifeste da forma habitual e conhecida onde o nosso corpo sempre se refugia. Este é um trabalho que oferece ferramentas para que o ator perceba seu corpo e seus vícios cotidianos para agir sobre ele e assim ampliar seu repertório com autonomia e conhecimento sobre si. É um trabalho que demanda tempo, é uma pena o tempo ser curto, pois é preciso exercitar sempre para que os sentidos surjam ou se transforme. A tentativa é sempre de levantar material para a direção, no caso as qualidades de corpo, caminhares, ações, que dialoguem com a linguagem da direção. 

O que mais chama a sua atenção na peça do Núcleo Macabéa:

A direção, o texto, a encenação. Há uma busca de uma linguagem que me tira de um lugar confortável.

Quais os caminhos o Núcleo Macabéa deve seguir após a primeira temporada da peça “Agruras – ensaio sobre o desamparo”?

Há um longo caminho pela frente, tem muito trabalho conquistado e muito pra se descobrir e se revelar; a cada passo dado novos caminhos se abrem, é um material rico e que o Núcleo Macabéa deve continuar a se aprofundar para desfrutar de toda a riqueza que esse processo oferece.

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