Agruras – Ensaio sobre o Desamparo estreia no Teatro Heleny Guariba em 9 de novembro

| Texto – Bruno Machado | Foto – Christiane Forcinito |

Depois de Chão e Silêncio, espetáculo de rua apresentado na comunidade do Boqueirão (Zona Sul), em 2011, o Núcleo Macabéa apresenta sua mais nova produção, Agruras – Ensaio Sobre o Desamparo a partir de 9 de novembro no Teatro Heleny Guariba (antigo Studio 184), na Praça Roosevelt. O espetáculo tem dramaturgia e direção de Rudinei Borges.

Os atores Lukas Torres, Rodrigo Sampaio, Nayara Meneghelli e Alexandre Ganico [da esquerda para a direita] na peça "Agruras, ensaio sobre o desamparo". Foto - Christiane Forcinito
Os atores Lukas Torres, Rodrigo Sampaio, Nayara Meneghelli e Alexandre Ganico [da esquerda para a direita] na peça “Agruras, ensaio sobre o desamparo”

Agruras – Ensaio Sobre o Desamparo trata de uma certa melancolia que atinge todos os seres de alguma maneira, em alguma fase de suas vidas. No texto de Borges, essa dor se traduz por uma saudade da figura do pai ausente.

Numa terra seca, onde uma locomotiva enferrujada se arrasta, O estrangeiro (Rodrigo Sampaio) perambula com uma caixa a ele atada. Nela, um sinistro conteúdo: o cadáver do próprio pai. Na sua caminhada, ele encontra diversas e estranhas figuras que parecem conhecê-lo e saber segredos do seu passado – O vendedor de ossos (Alexandre Ganico), O menino ferido (Lukas Torres) e Eva (Nayara Meneghelli). É do encontro com esses fantasmagóricos personagens que irrompe a incômoda verdade.

O ator Rodrigo Sampaio interpreta O estrangeiro em "Agruras, ensaio sobre o desamparo"
O ator Rodrigo Sampaio interpreta O estrangeiro em “Agruras, ensaio sobre o desamparo”

De caráter experimental e psicológico, o espetáculo propõe uma reflexão profunda sobre o significado da morte e o fim das grandes narrativas humanas. “É sobre a morte do pai, mas também do sagrado, de Deus, a morte das utopias”, explica Borges. “Os personagens, refugiados numa terra desolada, são refugiados em si mesmos”. O resultado, como no trabalho anterior do Núcleo Macabéa, é uma peça-poemana qual se confundem a prosa poética e drama narrativo.

Para atingir o nível dramático e estético esperado, durante um ano, o Núcleo Macabéa buscou referências na obra de Franz Kafka, Albert Camus e Samuel Beckett, entre outros. Extravasando a literatura, o espetáculo é influenciado pelos cineastas Ingmar Bergman, Glauber Rocha e Béla Tarr, e do fotógrafo Henri Cartier-Bresson.

Núcleo Macabéa

Inspirado na célebre personagem de A hora da Estrela, de Clarice Lispector, o grupo, criado em 2011, se propõe pesquisar a construção dramatúrgica a partir do trabalho do ator e da valorização da palavra poética apoiada nas memórias e registros do passado. Nesse sentido, o ator-andarilho, o ator-oralista é um artista que cria a partir da memória das pessoas, mas também dos lugares, das ruínas e dos escombros.

O primeiro trabalho do grupo, Chão e Silêncio foi resultado de uma residência artística na favela do Boqueirão (Zona Sul), onde o espetáculo foi criado a partir dos relatos dos moradores locais. Foi também nessa comunidade que surgiram os primeiros esboços do que viria a ser Agruras – Ensaio Sobre o Desamparo.

Integram o grupo os artistas Alexandre Ganico, Lukas Torres, Nayara Meneghelli e Rudinei Borges. Colaboram as artistas Christiane Forcinito e Claudia Melo, e o pesquisador Sidnei Ferreira de Vares, além do ator Rodrigo Sampaio, convidado a integrar o elenco de Agruras – Ensaio sobre o Desamparo.

Rudinei Borges

O poeta, dramaturgo e diretor de teatro Rudinei Borges
O dramaturgo e diretor de teatro Rudinei Borges

30 anos, é poeta, dramaturgo e fccionista. Há dez anos trocou Itaituba (PA) por São Paulo, onde criou o Núcleo Macabéa. Já publicou Chão de terra batida (poesia), Dentro é lugar longe (dramaturgia encenada pela Trupe Sinhá Zózima em 2013), e Teatro no ônibus (pesquisa teatral). Escreveu e dirigiu as peças Auto de São João (2003-2005), Poetas de vidro (2010), Chão e silêncio (2012) e Agruras – ensaio sobre o desamparo, em processo de montagem.

Formou-se em Filosofia pelo Centro Universitário Assunção. É mestre em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Integrou cursos de artes cênicas na Secretaria de Cultura de Itaituba, no Teatro Escola Macunaíma, na SP Escola de Teatro e na Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT).

Temporada

Teatro Heleny Guariba

Praça Franklin Roosevelt, 184 – Consolação

Metrô República

De 9/11 a 1º/12

Sábados, às 20h. Domingos, às 19h.

Ingressos: R$ 20; R$ 10 (meia), somente na bilheteria do teatro, uma hora antes do espetáculo.

Em 16 e 17/11, durante as Satyrianas, o público paga o quanto puder.

Ficha técnica

Dramaturgia e direção: Rudinei Borges

Elenco

Alexandre Ganico: O vendedor de ossos

Lukas Torrres: O menino ferido

Nayara Meneghelli: Eva 

Rodrigo Sampaio: O estrangeiro

Cenário e iluminação: Rudinei Borges

Operador de luz: Guilherme Trindade

Figurino: Claudia Melo

Sonoplastia: Alexandre Ganico e Rudinei Borges

Maquiagem: Núcleo Macabéa

Fotografia: Christiane Forcinito

Preparação vocal: Fernando Gimenes

Preparação corporal: Jimmy Wong

Preparação em canto: Thiago Mota

Apoio técnico: Marcelo Magalhães e Márcia Nicolau

Artes visuais/programa: Artefactos Bascos

Produção: Núcleo Macabéa

Realização: Prefeitura de São Paulo – Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI)

 

Núcleo Macabéa

(11) 3151-4664

nucleomacabea@gmail.com

nucleomacabea.wordpress.com

 

Informações à imprensa

Bruno Machado

9 6121-1163

brunoandremachado1988@gmail.com

Rodrigo Sampaio

9 8180-5381

magano@gmail.com

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